A vida em alta tensão

Foto: Ricardo Cosmo (http://bit.ly/sxZcLc)

Olhando através da janela do meu apartamento observei os movimentos de um pássaro e fui edificado intelectualmente e espiritualmente. O pássaro realizava um vôo majestoso, cheio de audácia e vigor até que se firmou sobre o fio de alta tensão. O vento soprava e movimentava o fio da rede elétrica, mas o pássaro não perdia o equilíbrio.

Ao pousar no fio de alta tensão o pássaro realizou um procedimento que despertou minha atenção. Quando concretizou seu pouso, seus dedos envolveram o fio elétrico e seus joelhos foram flexionados. A ciência diz que joelhos flexionados geram força nos dedos que resulta em firmeza sobre o fio.

A vida é como um fio de alta tensão. Embora esteja envolta por material isolante a tensão existe e é constante. Caminhamos na superfície isolante e nos enganamos achando que toda nossa trajetória será tranqüila e segura, no entanto, quando menos esperamos pisamos em local não isolado e somos impactados pelos choques que a vida de forma inesperada nos impõe. O choque e a voltagem variam e oscilam de uma pessoa para outra.

Alem do choque, temos o vento, e este “sopra onde quer (Jo 3.8)”. Na Bíblia, vento contrário se refere a provações e dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Problemas não são situações exclusivas de classes sem privilégios, pobres ou analfabetos, mas situações que afetam a todos, ricos ou pobres. Todos os indivíduos, independente de status ou classe social estão sujeitos a crises financeiras, doenças, atentados e tragédias, ou seja, o vento sopra onde quer. O que determina permanência no fio é a forma como enfrentamos os problemas.

As reações diante dos problemas são dualísticas e dependem da construção estrutural do homem. Alguns agem como derrotados e assim transferem responsabilidades, aplicam culpa a terceiros, desacreditam do amor de Deus e chegam ao ponto de até cometerem suicídio. Outros agem com espírito de campeão e enxergam nas adversidades a oportunidade de crescer um pouco mais. Quando o Advogado Franklin Roosevelt foi acometido por poliomielite e ficou paralítico da cintura para baixo ouviu de alguns que seu sonho de ser presidente dos Estados Unidos havia chegado ao fim, Franklin foi o único presidente americano a ser eleito quatro vezes seguidas. Simon Bolivar deixou registrado que a arte de vencer aprende-se nas derrotas. É arte absorver energia dos ventos que sopram contra nossa existência.

O segredo dos pássaros é envolver o fio com os dedos e flexionar os joelhos. É necessário se envolver com a vida, absorver os valores da existência, apreciar cada centímetro da criação, ter desejo de viver mesmo diante das calamidades. “A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem para em qualquer topada” (Bob Marley).
“Mesmo que o futuro chegue brusco, que o iminente desperte numa piscada, que a morte se antecipe, continuarei brigando. Revoltado com a falta de viço, com a inconveniência da tristeza, gritarei: nasci para viver! (Soli Deo Gloria)”

Flexionar os joelhos gera força nos dedos, orar a Deus gera força para caminhar um pouquinho mais. A oração faz desaparecer a distancia entre o homem e Deus, orar é se aproximar de Deus é dialogar com o Criador e assim aprender e absorver mais do seu amor. A oração torna nossos corações transparentes e só um coração transparente pode escutar a Deus. Concluo este texto com uma frase de São Padre Pio de Pietrelcina “arme-se com a arma da oração, e terá mais força no combate diário”.

 

Escrito por Dario Mendes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s